O colete GPS serve para medir, em treinos e jogos, quanto cada jogador correu, a que velocidade, quantos sprints fez e quantas vezes acelerou e freou. O colete segura nas costas um aparelho pequeno, chamado pod, que grava o movimento do atleta. Com esses números, a comissão técnica planeja a carga dos treinos e acompanha cada jogador na temporada.
O que é o colete GPS?
É uma peça justa, parecida com um top, que o jogador veste por baixo da camisa. Entre as escápulas fica um bolso onde o pod se encaixa. O pod combina um receptor de satélite, que mede posição e velocidade, com sensores de movimento, que registram arrancadas, freadas e mudanças de direção.
O colete é justo para o pod não balançar. Malone et al. (2017) recomendam roupas justas para reduzir movimentos indesejados, porque um pod mal fixado pode prejudicar os dados do acelerômetro. O apelido de "top" é explicado no post Por que o jogador de futebol usa um top por baixo da camisa?.
O que o colete GPS mede?
Os indicadores variam de sistema para sistema. Estes aparecem em quase todos:
| Indicador | O que mostra |
|---|---|
| Distância total | Quanto o atleta correu na sessão |
| Distância por faixa de velocidade | Quanto foi corrido em baixa, média e alta velocidade |
| Velocidade máxima | O pico de velocidade do atleta na sessão |
| Sprints | Quantas corridas passaram do limiar de sprint |
| Acelerações e desacelerações | Quantas arrancadas e freadas fortes o atleta fez |
| Carga da sessão e carga acumulada | O esforço do dia e a soma dos dias e das semanas |
| Mapa de calor e posição | Onde o atleta esteve em campo |
Cada estudo e cada sistema define o próprio limiar de sprint. Barros et al. (2007) contaram como sprint a corrida acima de 23 km/h; Silva et al. (2025), acima de 25,2 km/h. Por isso, compare números só dentro do mesmo sistema e com os mesmos limiares.
Quanto um jogador de futebol corre por jogo?
Cerca de 10 km. Em quatro jogos da primeira divisão do Campeonato Brasileiro disputados entre 2001 e 2004, medidos por câmeras, os jogadores de linha correram em média 10.012 m em 90 minutos (Barros et al., 2007). A distância muda com a posição:
| Posição | Distância média por jogo |
|---|---|
| Laterais | 10.642 m |
| Meias abertos | 10.598 m |
| Volantes e meias centrais | 10.476 m |
| Atacantes | 9.612 m |
| Zagueiros | 9.029 m |
No mesmo estudo, a distância caiu cerca de 7% no segundo tempo. Em estudos com câmeras nas ligas profissionais da Europa, a média nas temporadas 2018/19 e 2019/20 foi de 10.615 m por jogo para jogadores de linha que atuaram a partida inteira (Ponce-Bordón et al., 2024).
Esses números servem de referência. Os do seu elenco dependem do estilo de jogo, da posição e do sistema usado na medição. A velocidade máxima por posição e a precisão da medição estão no post Como funciona o GPS dos jogadores de futebol: distância e velocidade.
Para que serve o GPS no futebol?
Para a comissão técnica decidir com base no que aconteceu em campo. Os usos mais comuns:
- Planejar a semana: a carga de cada treino é ajustada ao calendário de jogos.
- Comparar treino e jogo: a comissão vê se o treino chegou perto das exigências da partida.
- Acompanhar a carga acumulada: estudos associam aumentos bruscos de carga a mais lesões (veja Carga de treino e lesões no futebol).
- Acompanhar cada atleta: o histórico mostra a evolução na temporada e ajuda a dosar o retorno depois de uma lesão.
- Analisar a partida: com a posição de cada atleta dá para rever o jogo em 2D e gerar mapas de calor (veja Replay 2D da partida de futebol com GPS).
O colete GPS pode ser usado em jogo oficial?
Pode, dentro das regras. Em 2015, a IFAB, entidade que define as regras do futebol, aprovou o uso de sistemas eletrônicos de rastreamento em jogo, desde que o aparelho não ofereça perigo e o organizador da competição autorize. Desde 1º de junho de 2018, os dados também podem chegar à área técnica durante a partida.
O texto atual da Regra 4 exige que o aparelho vestível atenda aos requisitos do programa de qualidade da FIFA para EPTS (Electronic Performance and Tracking Systems, sistemas eletrônicos de rastreamento de desempenho). O programa testa segurança e precisão, e os relatórios dos fornecedores testados ficam públicos no site da FIFA. O post Melhor GPS para futebol: como escolher o sistema do clube mostra como conferir.
O colete GPS funciona em qualquer lugar?
Não. O GPS depende do sinal dos satélites e precisa de céu aberto. Em ginásio, o sinal não chega bem. Nesses casos, os clubes usam sistemas de posicionamento local, com antenas instaladas no próprio ginásio. O GPS também perde precisão em corridas muito curtas e com mudança de direção (Jennings et al., 2010). O post Como funciona o GPS dos jogadores de futebol traz os números.
Perguntas frequentes
Colete GPS e top são a mesma coisa?
Sim. "Top" e "sutiã" são apelidos do colete GPS, por causa do formato.
O colete GPS mede os batimentos cardíacos?
Não. O GPS mede posição, distância e velocidade. A frequência cardíaca exige um sensor próprio, como uma cinta no peito, que alguns sistemas aceitam.
Quanto custa um colete GPS?
Depende do modelo de contratação, da moeda e do número de atletas. Sistemas para clubes costumam ser contratados por temporada ou por atleta, e o preço vem numa proposta. O post Quanto custa um GPS para futebol mostra como calcular o custo total.
Atletas da base podem usar o colete GPS?
Sim. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) pede cuidados extras com os dados de atletas menores de idade. O post Dados de atletas e LGPD explica as regras.
O VL58, colete GPS da Capita para clubes de futebol, registra distância percorrida, velocidade máxima, sprints e acelerações de cada atleta. A posição tem precisão de 40 cm em campo aberto. Veja como o VL58 funciona.
Fontes
- Barros RML, Misuta MS, Menezes RP et al. Analysis of the distances covered by first division Brazilian soccer players obtained with an automatic tracking method. Journal of Sports Science and Medicine. 2007;6(2):233-242. https://jssm.org/jssm-06-233.xml-abst
- Ponce-Bordón JC, López-Gajardo MA, Lobo-Triviño D et al. Longitudinal match running performance analysis of soccer in professional European leagues: A systematic review. International Journal of Performance Analysis in Sport. 2024;24(6):601-625. https://doi.org/10.1080/24748668.2024.2343579
- Silva H, Nakamura FY, Racil G et al. Peak match sprinting speed during soccer matches: analysing the pre- and post-peak speed dynamics. Biology of Sport. 2025;42(1):193-200. https://doi.org/10.5114/biolsport.2024.136089
- Malone JJ, Lovell R, Varley MC, Coutts AJ. Unpacking the Black Box: Applications and Considerations for Using GPS Devices in Sport. International Journal of Sports Physiology and Performance. 2017;12(Supl. 2):S218-S226. https://doi.org/10.1123/ijspp.2016-0236
- Jennings D, Cormack S, Coutts AJ et al. The validity and reliability of GPS units for measuring distance in team sport specific running patterns. International Journal of Sports Physiology and Performance. 2010;5(3):328-341. https://doi.org/10.1123/ijspp.5.3.328
- The IFAB. Minutes of the 129th Annual General Meeting. Belfast, 2015. https://downloads.theifab.com/downloads/annual-general-meeting-2015-minutes?l=en
- The IFAB. Circular No. 1: Amendments to the Laws of the Game 2015/2016. Zurique, 2015. https://downloads.theifab.com/downloads/circular-1_en?l=en
- The IFAB. Circular No. 13: 132nd Annual General Meeting (AGM) of The International Football Association Board (The IFAB) – decisions. Zurique, 21 abr. 2018. https://downloads.theifab.com/downloads/circular-13_en?l=en
- The IFAB. Laws of the Game, Law 4: The Players' Equipment. https://www.theifab.com/laws/latest/the-players-equipment/
- FIFA. FIFA Quality Programme for EPTS. https://inside.fifa.com/technical/football-technology/standards/epts/fifa-quality-programme-for-epts