Como funciona o GPS dos jogadores de futebol: distância e velocidade

O GPS registra a posição do jogador várias vezes por segundo. A distância percorrida é a soma dos pequenos deslocamentos entre uma posição e a seguinte, e a velocidade mostra quanto o jogador se desloca a cada instante. Num teste com aparelhos de 10 e 18 Hz, o erro foi de cerca de 1% a 2% na distância e cerca de 2% na velocidade de pico (Beato et al., 2018).

Como o GPS sabe onde o jogador está?

O receptor no pod calcula a própria posição pela distância até vários satélites ao mesmo tempo. Muitos aparelhos usam mais de uma constelação: GPS (Estados Unidos), Galileo (Europa), GLONASS (Rússia) e BeiDou (China), chamadas em conjunto de GNSS (Global Navigation Satellite System).

A qualidade da posição depende de quantos satélites o aparelho capta e de como eles estão distribuídos no céu. Malone et al. (2017) relatam, por experiência prática, que aparelhos ligados a menos de seis satélites tendem a ter conexão mais fraca e dados piores. Satélites concentrados numa parte do céu também pioram a precisão. O HDOP (Horizontal Dilution of Precision) mede esse efeito, e valores abaixo de 1 são considerados ideais.

A velocidade pode ser calculada pela variação da posição no tempo. Muitos aparelhos também a calculam pelo efeito Doppler, a mudança de frequência do sinal dos satélites. Em aparelhos de 1 Hz, esse método se mostrou mais preciso que o cálculo pela posição. Em frequências maiores, os autores dizem que isso ainda não foi verificado (Malone et al., 2017).

O que é a frequência em Hz e por que ela importa?

É quantas vezes por segundo o aparelho registra a posição. Mais leituras costumam dar mais precisão, mas nem sempre:

Estudo Comparação Resultado
Jennings et al., 2010 1 Hz e 5 Hz Erro de 9,0% a 32,4% na distância. O erro aumentou com a velocidade, e a frequência maior melhorou a validade
Varley et al., 2012 5 Hz e 10 Hz Em acelerações e freadas, o de 10 Hz foi duas a três vezes mais preciso e até seis vezes mais consistente
Johnston et al., 2014 10 Hz e 15 Hz, marcas diferentes O de 10 Hz foi mais preciso e mais consistente. O de 15 Hz usava leituras interpoladas (Malone et al., 2017)
Beato et al., 2018 10 Hz e 18 Hz, mesma marca Os dois erraram cerca de 1% a 2% na distância e cerca de 2% na velocidade de pico

Malone et al. (2017) resumem: a precisão melhorou com o aumento da frequência, mas a frequência sozinha não define a qualidade dos dados.

Como a precisão de um GPS é testada?

Beato et al. (2018) concluíram que aparelhos de 10 e 18 Hz podem ser usados com confiança em treinos e jogos.

Para dar o selo FIFA Quality, a FIFA testa a precisão dos sistemas dentro de um estádio, em circuitos de corrida e em jogos reduzidos de 2 contra 2 e 5 contra 5. Os dados são comparados com um sistema de captura de movimento de referência, o Vicon. O teste mede distância, velocidade instantânea e distância por faixa de velocidade, e os relatórios dos fornecedores testados ficam públicos no site da FIFA.

Onde o GPS erra mais?

  • Em tiros curtos: no estudo de Jennings et al. (2010), o sprint de 10 m foi a medida menos confiável.
  • Em velocidades altas e mudanças de direção: o erro aumenta conforme a velocidade sobe (Jennings et al., 2010; Johnston et al., 2014).
  • Com pouca visão do céu: coberturas e arquibancadas altas podem reduzir os satélites visíveis.
  • Com o aparelho solto: um colete folgado deixa o pod balançar e prejudica os dados do acelerômetro (Malone et al., 2017).

Quanto um jogador corre por jogo e qual é a velocidade máxima?

Medida Valor Onde e como foi medido
Distância por jogo 10.012 m em média Série A do Brasil, 2001 a 2004, por câmeras (Barros et al., 2007)
Distância por posição, Brasil De 9.029 m (zagueiros) a 10.642 m (laterais) Série A do Brasil, 2001 a 2004, por câmeras (Barros et al., 2007)
Distância por jogo, por posição 10.496 m a 11.779 m Premier League e La Liga, 2006/07, por câmeras (Dellal et al., 2011)
Sprint acima de 23 km/h 437 m por jogo Série A do Brasil, 2001 a 2004 (Barros et al., 2007)
Corrida em alta intensidade De 1.834 m (zagueiros) a 3.138 m (meias abertos) Premier League 2005/06, por câmeras (Bradley et al., 2009)
Pico de velocidade por jogo De 29,1 km/h (zagueiros) a 31,6 km/h (laterais), médias por posição Clube da Série A, 2022, GPS de 10 Hz (Silva et al., 2025)
Velocidade máxima na temporada Entre 32 e 33,9 km/h para 53,5% dos jogadores La Liga 2017/18, por câmeras (Del Coso et al., 2020)

A corrida intensa cresceu com o tempo. Na Premier League, entre 2006/07 e 2012/13, a distância total subiu cerca de 2%, enquanto a corrida em alta intensidade subiu cerca de 30% e a distância em sprint, cerca de 35% (Barnes et al., 2014).

Na La Liga, a velocidade máxima dos jogadores não teve associação com a classificação final do time (Del Coso et al., 2020).

Por que os números de sistemas diferentes não batem?

Cada sistema usa limiares, filtros e processamento próprios. Johnston et al. (2014) recomendam não comparar dados de aparelhos de 10 Hz e de 15 Hz, e Malone et al. (2017) lembram que cada versão de firmware que processa os dados de outro jeito precisa de validação própria. Para acompanhar a evolução de um atleta, use sempre o mesmo sistema e, se possível, o mesmo aparelho (Malone et al., 2017). Os critérios para escolher um sistema estão em Melhor GPS para futebol: como escolher o sistema do clube.

Perguntas frequentes

Quantos quilômetros um jogador corre por jogo?

Cerca de 10 km. Nos estudos citados, as médias vão de cerca de 9 km, nos zagueiros do Brasileirão, a quase 11,8 km em algumas posições da Premier League e da La Liga.

Qual é a velocidade máxima de um jogador de futebol?

Na La Liga 2017/18, a maioria dos jogadores atingiu entre 32 e 33,9 km/h na temporada. Num clube da Série A em 2022, o pico médio por jogo ficou entre 29,1 e 31,6 km/h, conforme a posição.

Um GPS de 10 Hz é suficiente?

Para medir distância e velocidade de pico, sim (Beato et al., 2018). Em acelerações e freadas, o erro foi maior (Varley et al., 2012), e mais Hz não garante mais precisão (Johnston et al., 2014).

O GPS funciona em ginásio?

Não. Em locais fechados, o sinal dos satélites não chega bem. Para esses ambientes existem sistemas de posicionamento local, com antenas instaladas no próprio ginásio.

O VL58, colete GPS da Capita, registra a posição com precisão de 40 cm em campo aberto. Veja o que o VL58 mede.

Fontes

  1. Barnes C, Archer DT, Hogg B et al. The Evolution of Physical and Technical Performance Parameters in the English Premier League. International Journal of Sports Medicine. 2014;35(13):1095-1100. https://doi.org/10.1055/s-0034-1375695
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  5. Del Coso J, Brito de Souza D, Moreno-Perez V et al. Influence of Players' Maximum Running Speed on the Team's Ranking Position at the End of the Spanish LaLiga. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020;17(23):8815. https://doi.org/10.3390/ijerph17238815
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  7. FIFA. New global standard for EPTS. 30 jun. 2019. https://inside.fifa.com/innovation/news/new-global-standard-for-epts
  8. FIFA. FIFA Quality Programme for EPTS. https://inside.fifa.com/technical/football-technology/standards/epts/fifa-quality-programme-for-epts
  9. FIFA. EPTS. https://inside.fifa.com/innovation/standards/epts
  10. Jennings D, Cormack S, Coutts AJ et al. The validity and reliability of GPS units for measuring distance in team sport specific running patterns. International Journal of Sports Physiology and Performance. 2010;5(3):328-341. https://doi.org/10.1123/ijspp.5.3.328
  11. Johnston RJ, Watsford ML, Kelly SJ et al. Validity and interunit reliability of 10 Hz and 15 Hz GPS units for assessing athlete movement demands. Journal of Strength and Conditioning Research. 2014;28(6):1649-1655. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000000323
  12. Malone JJ, Lovell R, Varley MC, Coutts AJ. Unpacking the Black Box: Applications and Considerations for Using GPS Devices in Sport. International Journal of Sports Physiology and Performance. 2017;12(Supl. 2):S218-S226. https://doi.org/10.1123/ijspp.2016-0236
  13. Silva H, Nakamura FY, Racil G et al. Peak match sprinting speed during soccer matches: analysing the pre- and post-peak speed dynamics. Biology of Sport. 2025;42(1):193-200. https://doi.org/10.5114/biolsport.2024.136089
  14. Varley MC, Fairweather IH, Aughey RJ. Validity and reliability of GPS for measuring instantaneous velocity during acceleration, deceleration, and constant motion. Journal of Sports Sciences. 2012;30(2):121-127. https://doi.org/10.1080/02640414.2011.627941

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